16/06 (08h11) - Atualizado em: 16/06 (08h20)
Dunga corre o risco de “morrer abraçado” com seus jogadores
O técnico Dunga não quer de maneira alguma que sua seleção seja
comparada com a de 2006. As farras depois dos jogos e principalmente o
período de preparação em Weggis são marcas que ele deseja longe do time.
Mas depois da fraca estreia nesta terça-feira (15) e a suada vitória
por 2 a 1 diante dos norte-coreanos, o treinador tomou uma atitude
idêntica à de Parreira em 2006.
Ele não admitiria nem sob tortura que jogadores-chave para os seus
planos estejam atuando muito abaixo do mínimo aceitável. E, assim como
Carlos Alberto Parreia fez com o seu quadrado mágico em 2006, Dunga
mostra uma disposição até maior. Se preciso for, ele morre abraçado a
Kaká, Luís Fabiano, Felipe Melo...
- O time vai melhorar. Os jogadores vão se soltar. A estreia é a partida
mais complicada em uma Copa do Mundo. O importante é que vencemos. Em
Copa do Mundo as coisas acontecem assim. Cada vitória precisa ser
valorizada. Está tudo sob controle.
Dunga quer que todos valorizem a liderança momentânea do Grupo G, já que
Portugal e Costa do Marfim empataram, e o Brasil derrotou a Coreia do
Norte.
O técnico brasileiro nunca irá admitir publicamente, mas o caso mais
grave e que empaca a seleção brasileira é Kaká. Ficou evidente para o
mundo que o meia não conseguiu se recuperar fisicamente da pubalgia que
teve no Real Madrid. Ele está preso, lento, errando passes e inseguro,
fugindo das tentativas de dribles e arrancadas. A Coreia do Norte o
marcou por setor e ele acabou anulado.
- Todos conhecem o potencial do Kaká. No dia a dia percebemos sua
melhora. Ele ficou muito tempo sem jogar no Real Madrid. Isso pesa, mas
não dá para negar seu potencial. Ele vai melhorar.
São palavras muito próximas às de Parreira ao falar do fraco rendimento
de Ronaldo, Adriano, Ronaldinho Gaúcho e do mesmo Kaká em 2006.
Diante da Coreia do Norte o time nem precisou ser trocado para buscar
uma alternativa mais efetiva para a nulidade de Kaká: Robinho passou a
autuar como atacante e meia.
Ele passou a voltar à intermediária para executar o trabalho que deveria
ser do meia do Real Madrid. Foi quando o Brasil passou a ser mais
perigoso e a criar chances de gols. Essa possibilidade existe: Robinho
jogar na meia, e o ataque brasileiro ser formado por Nilmar e Luís
Fabiano. Mas Dunga por enquanto não quer mexer na equipe, acredita que
se fizer isso irá “queimar Kaká”.
Para não ser uma perseguição pessoal, justiça seja feita. Luís Fabiano
também está muito abaixo do seu nível. Assim como o meia do Real Madrid,
ele teve uma lesão no Sevilla: uma forte contratura na coxa esquerda.
Perdeu a final da Copa do Rei da Espanha, fez tratamento intensivo, diz
estar recuperado, mas está também travado e sem ritmo de jogo. Ele
passou a partida dando trombadas nos seus marcadores orientais e não
ajudou a equipe brasileira.
O caso é menos grave, já que Luís Fabiano é um jogador de definição. Só
que a atitude de Dunga é a mesma, nem pensar em trocá-lo por Grafite. O
desnível técnico não recomenda, mas se ele continuar a jogar mal e não
fazer gols, há de se ter coragem de tirá-lo da equipe. Seu futebol foi
tão fraco quanto nos amistosos diante do Zimbábue e da Tanzânia.
No caso de Felipe Melo e Ramires, o gol que o Brasil sofreu da Coreia do
Norte serve como uma desculpa para manter a equipe inalterada. Pouco
importa se com a entrada do volante do Benfica o jogo fluiu mais leve,
rápido. Para Dunga, o time ficou desprotegido sem Felipe Melo.
Pelo menos o técnico atual da seleção não
seguiu o seu antecessor. Não houve folga, festa, gandaia até as 5h da
madrugada depois do jogo. Houve bom senso, e o time irá treinar na tarde
desta quarta-feira (16). Dunga não vai admitir nunca para a imprensa,
mas há muito o que consertar. Foi só a primeira partida. A Costa do
Marfim é um adversário muito melhor qualificado. Drogba vai jogar contra
os brasileiros. É excelente Dunga ser leal, mas que esta lealdade não
represente falta de visão. Parreira morreu abraçado ao seu quadrado
mágico. Ele não precisa fazer isso com Kaká, Luís Fabiano e Felipe Melo.
r7.com
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