Saúde

Tomar a segunda dose antes do previsto altera a imunidade?

CoronaVac está sendo aplicada com 21 dias de intervalo e vacina de Oxford, com 3 meses, no país; tempo de espera gera ansiedade

04/04/2021 02h06
Por: Portal suldopiaui.com.br
Fonte: R7
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Foto: Reprodução
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O intervalo de 21 dias para tomar a segunda dose da CoronaVac e de 3 meses para tomar a segunda dose da vacina de Oxford tem gerado ansiedade em alguns idosos. É recomendável adiantar a segunda dose? A CoronaVac demonstrou que funciona com a segunda dose administrada entre 2 e 4 semanas após a primeira, de acordo com os estudos clínicos. "Se der a vacina com outro intervalo, como 6, 8 ou 10 semanas, ninguém sabe o que vai acontecer. Se der antes, também não se tem dados. Por isso é importante seguir a recomendação de se respeitar o intervalo estipulado por onde a vacina foi estudada", afirma o infectologista Renato Kfouri, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) e membro do Comitê Técnico Assessor do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde. O intervalo de três semanas aplicado no Brasil levou em conta a questão operacional; se atrasar ou adiantar um pouco, não faz mal, ressalta o médico. A infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, ressalta que estudos mostraram que o intervalo de quatro semanas induz melhor resposta imunológica. "Então, a vacina pode ser feita nesse intervalo de 2 a 4 semanas, mas, na minha ótica, em termos de resposta, quatro semanas é melhor", afirma

Em relação à vacina de Oxford, foram testados diferentes intervalos: 4, 8, 12 e até 16 semanas, segundo Kfouri. "Foi observado que quem se vacinou entre 6 e 12 semanas teve uma resposta imune melhor do que quem se vacinou em um intervalo mais curto, então, embora na vacina de Oxford tenha na bula a recomendação de 4 a 12 semanas de intervalo, a própria OMS coloca a recomendação de 8 a 12 semanas, sem que haja prejuízo na proteção que a primeira dose induziu", explica. "Depois de três meses também não há garantia de que vai funcionar", completa. Rosana destaca que os estudos mostraram que intervalos menores correspondem a uma proteção menor e uma menor produção de anticorpos. "Especialmente para essa vacina eu julgo importante aguardar o intervalo correto dos 3 meses", orienta

Como é estabelecido o melhor intervalo entre doses de uma vacina? A infectologista explica que cada vacina tem um intervalo entre as doses. Esse intervalo é estipulado de acordo com os estudos clínicos da fase 2, quando são analisados qual serão as doses e o intervalo entre elas. Nessa fase, são estudados diferentes intervalos e medidas as quantidades de anticorpos produzidas em cada intervalo e dose. "O intervalo ideal vai levar em consideração a melhor resposta imunológica e também, na fase 3, qual intervalo foi mais eficaz para evitar a doença", explica

Qual o prejuízo de tomar a segunda dose antes ou depois do prazo recomendado? O que é pior, tomar antes ou depois? "Uns dias a mais ou a menos não há problema", diz Kfouri. "Se por ventura, alguém que tinha a segunda dose marcada perdeu a oportunidade de se vacinar, porque estava doente ou teve qualquer outro problema, deve se vacinar assim que possível. Por exemplo: tomou a primeira dose da CoronaVac e, dois meses depois, ainda não tomou a segunda, tome agora. Não recomece o esquema", acrescenta. Rosana recomenda: "É melhor você atrasar do que adiantar uma segunda dose. Dose dada nunca é dose perdida. E se, eventualmente, perdeu a segunda dose por algum motivo, você deve fazê-la e não há nenhuma necessidade de recomeçar"

Qual a eficácia da CoronaVac e da vacina de Oxford? A CoronaVac é 100% eficaz para impedir casos graves e moderados, 78% de desenvolver quadro leve e 50,38% menos chance de contrair a doença. Oferece proteção contra as variantes do Amazonas, do Reino Unido e da África do Sul. Já a vacina de Oxford dispõe de eficácia de 82,4% ao fim das duas doses, sendo 76% após 90 dias da primeira dose. Também protege contra as variantes do Amazonas e do Reino Unido, mas tem eficácia reduzida contra a variante da África do Sul

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