reunião

Nas quase 2h de reunião sobre pandemia, Bolsonaro e ministros falam de coronavírus por 19 minutos

A pandemia do coronavírus foi mencionada durante um total de 19 minutos e 18 segundos dos 115 minutos da reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e ministros no dia 22 de abril, quando havia 45 mil casos de coronavírus no Brasil e 2.906 mortes.

23/05/2020 23h50
Por: Portal suldopiaui.com.br
Fonte: BBC
789

O tema da reunião era o Plano pró-Brasil, um programa de recuperação econômica para lidar com os efeitos da pandemia do coronavírus. Hoje, um mês depois da reunião, o Brasil tem contabilizados 330.890 pessoas infectadas e 21.048 mortes, tornando-se o segundo país no mundo com maior número de casos confirmados, atrás apenas dos Estados Unidos.

O encontro ministerial foi gravado e o vídeo foi tornado público nesta sexta (23) por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello. Ele determinou que trechos que envolvam menções a outros países fossem mantidos em sigilo, então o vídeo dura pouco mais que os 115 minutos, ou 1 hora e 55 minutos, disponíveis.

A BBC News Brasil contou quantas vezes a pandemia foi mencionada na reunião, por meio de diferentes palavras como "coronavírus", "covid", "pandemia", "doença", "distanciamento", "isolamento" e "óbito". Outras referências à pandemia sem usar especificamente uma palavra relacionada à crise também foram consideradas. Então, a reportagem contou quantos segundos ou minutos foram usados pelo participante da reunião para mencionar a pandemia, considerando também o contexto dessa menção.

O tempo tomado para abordar o coronavírus representa 16% do total do período da reunião. Em outros momentos, Bolsonaro queixou-se da atuação da Polícia Federal, dizendo que iria interferir no órgão, falou de um sistema de informação "particular" e defendeu armar o povo por causas políticas. Seu ministro da Educação, Abraham Weintraub, defendeu a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal e disse odiar o termo "povos indígenas".

Grande parte das menções à pandemia continham críticas às medidas tomadas por governadores e prefeitos para conter a disseminação do vírus no Brasil.

No começo da reunião, o ministro da Casa Civil, general Braga Netto, pediu que cada ministro utilizasse no máximo 10 minutos para falar sobre "a retomada do crescimento econômico em resposta aos impactos relacionados ao coronavírus".

Bolsonaro falou sobre o coronavírus em quatro momentos distintos, dedicando 3 minutos e 6 segundos ao tema. Xingou governadores e o prefeito de Manaus, criticou o isolamento social e falou sobre "a desgraça que vem pela frente", em referência a uma crise econômica durante a pandemia.

A ministra Damares Alves, da Família, Mulher e Direitos Humanos, foi quem mais falou sobre o coronavírus, totalizando 4 minutos e 46 segundos. Ela questionou se o Supremo Tribunal Federal iria liberar o aborto a "todos que tiveram coronavírus" no Brasil, disse sem apresentar provas que havia recebido informações de que indígenas haviam sido contaminados de propósito para colocarem a culpa em Bolsonaro e que "nunca houve tanta violação de direitos no Brasil como neste período", dizendo que pediria a prisão de governadores e prefeitos.

O ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, falou sobre o tema durante 3 minutos e 44 segundos, dizendo que tinha um plano para a crise no Brasil e que se o governo "não mostrar para a sociedade que tem o controle da doença, da saída dela, qualquer tentativa econômica vai ser ruim".

Já o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que os ministérios poderiam se aproveitar da "tranquilidade" da cobertura da imprensa, focada na crise do coronavírus, segundo ele, para "ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas".

A reportagem também contou quantas vezes palavras relacionadas a coronavírus foram ditas na reunião:

  • Doença: 10
  • Coronavírus: 8
  • Covid: 7
  • Óbito: 5
  • Pandemia: 4
  • Isolamento: 2
  • Distanciamento: 1
Anúncio
Municípios
Últimas notícias
Mais lidas