vida moderna

Como a vida moderna está mudando o esqueleto humano

De uma protuberância na parte de trás do crânio a cotovelos mais estreitos, nossos ossos estão mudando de maneiras surpreendentes.

16/08/2020 08h47
Por: Portal suldopiaui.com.br
Fonte: g1
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Tudo começou com uma cabra. O desafortunado animal nasceu na Holanda na primavera de 1939 – e suas perspectivas não eram nada boas.

Não tinha uma das patas da frente, e a outra era deformada. Ou seja, se locomover seria mais difícil.

Mas, quando tinha três meses, a cabra foi adotada por um instituto veterinário e se mudou para um campo gramado.

Lá, desenvolveu rapidamente seu estilo próprio (e peculiar) de se locomover. Ela se apoiava nas patas traseiras para erguer o corpo e pulava – o resultado era algo entre o salto de uma lebre e um canguru.

Infelizmente, a cabra se envolveu em um acidente e morreu quando tinha um ano. Mas havia algo surpreendente escondido em seu esqueleto.

Durante séculos, os cientistas acreditaram que nossos ossos cresciam de maneira previsível, de acordo com as instruções genéticas herdadas de nossos pais.

Mas quando um especialista em anatomia holandês investigou o esqueleto dessa cabra, descobriu que seus ossos haviam começado a se adaptar.

Os ossos do quadril e das patas eram mais grossos do que o esperado – e estavam anormalmente angulados, para permitir uma postura mais ereta. Da mesma forma, os ossos do tornozelo estavam esticados.

Em outras palavras, a estrutura óssea da cabra começou a se parecer muito com a dos animais que saltam.

Hoje se sabe que nossos esqueletos são surpreendentemente maleáveis.

Embora os esqueletos em exposição nos museus possam dar a impressão contrária, os ossos sob a nossa pele estão muito vivos – são rosados pelo fluxo sanguíneo, e estão em processo de destruição e reconstrução constante.

Portanto, embora o esqueleto de cada indivíduo se desenvolva de acordo com as instruções genéticas em seu DNA, ele pode se adaptar de acordo com as pressões que cada pessoa enfrenta na vida.

Esta constatação levou a uma disciplina conhecida como "osteobiografia" – literalmente, "biografia dos ossos" – que permite analisar um esqueleto para descobrir como o dono vivia. E se baseia no fato de que certas atividades, como andar sobre duas pernas, deixam uma marca, como ossos do quadril mais resistentes.

E estudos recentes parecem não deixar dúvida de que a vida moderna está tendo um impacto em nossos ossos. Há vários exemplos – como a aparição de uma protuberância na base do crânio de algumas pessoas, a percepção de que nossas mandíbulas estão ficando menores e a constatação de que os cotovelos de jovens alemães estão mais estreitos do que nunca.